sexta-feira, 10 de abril de 2009

Cineasta , ator e louco


Ontem assisti um filme do Woody Allen de 1977, o que me chamou a atenção além do título "Noivo neurótico, noiva nervosa" ou "Annie Hall" , foi saber que foi considerado na época pela Time magazine um filme revelação.
Woody Allen consegue levar os personagens a um nivel máximo de pressão psicológica, neurótico, lembra sempre algum parente próximo que analisa qualquer situação do dia a dia, e retrata um romance divertido em que o foco não necessariamente é o casal felz, tipicamente americano, usa um humor inteligente que não se vê nem hoje em dia, o legal é que além das cenas do filme , ele para o script, olha em direção a câmera e explica a situação , interagindo diretamente com o telespectador, para ilustrar o que considero por humor inteligente, estava ele e a namorada na fila do cinema, enquanto um cara atrás conversava com uma mulher, falava sobre um filme que assistiu e tecia comentários hiper criticos, como ideologia do roteiro, superficialidade, comunicação falha citando até Macluhan, enquanto Allen agonizava na frente ao ouvir e dizia: "Deve ser o primeiro encontro desse cara, deve ter conhecido ela através dos classificados da critica literária", do nada o homem ouve ele falar mal dele e entra na cena dizendo que é professor de comunicação em Harvard e que domina Marshal Macluhan, nisso Woody chama Macluhan que esta ali do lado, e o mesmo fala ao professor de Harvard: "Eu estava ouvindo o que você dizia, você não entende nada das minhas teorias", então a cena fecha em Allen sozinho dizendo: "Obrigado Marshal, a vida seria mais fácil assim, não é?", me lembrou os flash back que o programa os normais faziam, ele consegue desvirtuar o quesito tempo, em cenas do presente, entrando em cenas do passado e mostrando o que conta com a cena aparecendo e ele ali no meio, confuso né?
Mas o que quero dizer é que qualquer filme do Woody Allen consegue desmistificar o padrão americano de fazer cinema e ser popular, pois em geral as pessoas gostam dos filmes, e ele sempre começa com uma lógica e quando você espera que aconteça a cena de uma maneira , acontece exatamente o contrário, citei o filme que vi não para fazer uma resenha do filme , mas para confirmar o quanto os trabalhos são admiráveis, o comum é abordado, não existe grandes emoções , e do ceticismo lunático de Allen conseguimos dar boas garagalhadas, o que me faz refletir sobre o que é o humor hoje em dia?
Ou por acaso você morre de rir assistindo o enlatado americano, ou casseta e planeta, zorra total? São programas de humor anti risos, não sou nenhum critico de cinema, mas Noivo neurótico, noiva nervosa é um filme muito bom, outro que vi recentemente é o Match point também de Allen, mas a partir de agora que vou explorar mais esta vasta produção diferente dos filmes padrões, o legal é que nao são histórias óbvias daquelas que só de ver o começo já sabemos o fim.

Ps: Devo ser um alienigena, porque em pleno ano de 2009 venho comentar um filme de 1977. Mas lançamentos geralmente não me chamam a atenção.
Ps2: Os melhores filmes da televisão aberta geralmente passam de madrugada, no intercine, corujão etc...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Que bicho é esse?

Imagem do livro A revolução dos bichos

Acordar, escovar os dentes, tomar café, sair correndo para não perder a hora, gritar de felicidade, chorar de tristeza, comover os outros com sua história e surpeender com um corte de cabelo novo.
De qual animal estamos falando?
Somos os únicos seres que pensam e têm raciocinio lógico, temos planos, objetivos a cumprir e uma vasta lista de sonhos que somos completamente capazes de realizar. Em 1 ano aprendemos a andar, temos capacidade de assimilar gestos e imitar movimentos ainda bebês, imitamos sons, gradativamente nosso corpo toma formas, crescemos, sabemos quando alguém esta triste, quando deixamos alguém triste, quando alegramos e principalmente quando devemos ficar calados.
Os anos passam e nossa rotina nos transforma em seres mecânicos, adaptados ao nosso sistema, que se inicia de acordo com o primeiro parágrafo deste post, só que num ciclo não reparado por nós se avança e perdura por anos, quantas vezes sorrimos e cumprimentamos as pessoas da nossa convivência, quantas vezes chamamos os amigos para um passeio, ou uma conversa?
A era virtual, afasta as pessoas prendendo a nossa comunicação de uma forma quase pré histórica, não fosse a escrita para nos salvar, mas o falar, gesticular, olhar aprovando, desaprovando, estes somem do dia a dia, nos tornando invisiveis dentro de cabos ópticos que chegam em qualquer lugar do mundo, mas não somos nós, são palavras, até onde as palavras fazem o papel do viver em sociedade?
Dormir, acordar, comer e trabalhar, o tempo para ver o filho crescer acabou, o tempo para jogar futebol, para correr no parque, andar de bicicleta, abraçar, beijar , este tempo acabou, conversar com o zé da padaria, levar roupas velhas para um asilo, ou orfanato, este tempo acabou, você pode doar pela internet se for necessário e se compadecer por algo, pode conversar pelo msn, pode ver as fotos pelo orkut, ler o jornal pela tela do computador, jogar xadrez, dama, dominó, truco, poker, resolver passatempos e palavras cruzadas, mas não pode se mover da cadeira.
Acabou o tempo, o animal que pensa e possue raciocinio lógico, usou essa inteligência contra si e retroceder é impossível, mudar é impossivel, agir de forma contrária é inaceitável, nos resta seguir a tecnologia, comprar, estudar , pesquisar, sem ler um livro, comentar sobre o afilhado pelo orkut, sem ao menos apertar as bochechas, isso é normal?
Pra onde foram os campinhos de futebol de bairro? Pra onde foram os moleques que andavam de bicicleta, jogavam taco e bolita na frente de casa, cadê todo mundo? Só têm prédio e construção, crise e outdoor, politico na TV, e o Obama chamando o Lula de "o cara", cara? Cara de malandro, cara de ex operário, sem faculdade, cego dentro de sua própria sala, omisso, popular lá fora, mas e aqui? Será que ninguém percebe que as cidades grandes brasileiras não são mais brasileiras? Que os poderosos falam inglês? Que o nativo que só fala português é mão de obra nas metrópoles?
Cadê as crianças felizes correndo na chuva? Só vejo elas correndo se for pra vender bala, chiclete, carregador de celular e afins, cadê o brilho no olhar da classe média, classe baixa? Só aparece esse brilho no olhar de quem ganha o bolsa familia, auxilio educação, auxilio gás e moram naquelas cidades que 30 reais é renda?
Acordar, escovar os dentes e sair correndo para trabalhar, é isso o que nos resta... Ninguém vai pintar a cara e fazer bagunça na rua pra tirar macaco do poder, eles ficam lá pulando de galho em galho no congresso, ajudando a elite com bilhões, soltando falcatruas da prisão, enquanto a gente se vê dominado por americanos, franceses, japoneses vivendo feito eles, sem campinho de futebol, sem correr na rua, sem se ver, comprando e inovando nessa imensa hipocrisia que se tornou o ser humano.